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domingo, junho 16, 2024
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Varíola do Macaco: especialista tira dúvidas sobre a doença

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Infectologista do Hcor acredita que a epidemia no país possa ser controlada com a disseminação de informação

O primeiro caso de Varíola Símia no Brasil foi confirmado no início de junho, na cidade de São Paulo. Quase dois meses depois, a capital paulista também anunciou a contaminação de crianças entre 4 e 6 anos. Em 29 de julho, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro óbito pela doença, de um homem de 41 anos, em Belo Horizonte (MG), ocorrido em 28 de julho. Com o aumento no número de pessoas infectadas, que se aproxima da marca de mil(a maioria no estado de São Paulo), cresce a preocupação sobre uma epidemia no país .

Baseada nessas preocupantes informações, a equipe do RJ4 conversou com o Infectologista do H-Cor Dr.Ingvar Ludwig, para tirar dúvidas e alertar a população de como se cuidar.

 

Para ajudar a disseminar o conhecimento sobre a Varíola Símia, também denominada MonkeyPox (MPX) ou “varíola dos macacos”, o infectologista esclarece cinco dúvidas:
1. O uso de máscaras previne a transmissão da varíola símia?

Sim, apesar de o principal mecanismo de transmissão entre humanos ser o contato direto com lesões de pele ou mucosas infectadas, também pode ocorrer a partir de gotículas respiratórias de um indivíduo com infecção ativa. Este tipo de transmissão geralmente requer uma exposição mais prolongada. Desta forma, a utilização de máscaras, cobrindo adequadamente o rosto, pode auxiliar na não disseminação do vírus.

 

2. Como saber se estou com varíola dos macacos?

Pessoas que apresentem lesões compatíveis com a doença, ou que tiveram contato próximo com um caso confirmado, devem procurar atendimento médico para avaliação adequada.

 

Habitualmente, as lesões seguem um padrão típico: iniciam-se como manchas bem delimitadas que progridem para vesículas (bolhas), que se rompem e posteriormente se transformam em crostas. A partir da lesão inicial, novas progridem rapidamente para outras partes do corpo. Além do acometimento da pele, pacientes também podem manifestar sintomas sistêmicos, como febre, mal-estar, prostração e adenomegalia (presença de gânglios/ínguas).

 

3. Como é o tratamento da doença?

Não existe um tratamento específico para a infecção pelo vírus Monkeypox. O manejo é sintomático e envolve a prevenção e o tratamento de infecções bacterianas sintomáticas. Alguns antivirais, atualmente não disponíveis no Brasil, podem ser utilizados em casos muito específicos.
Os pacientes devem ser instruídos a manter as lesões de pele limpas e secas para prevenir infecção bacteriana secundária. Recomenda-se lavar as mãos com água e sabão ou usar desinfetante à base de álcool antes e depois de manipular as lesões, que devem ser limpas suavemente com água. A erupção não deve ser coberta, mas deixada ao ar livre para a cicatrização.
4. As lesões na pele deixam cicatrizes permanentes?

Após a queda das crostas, é possível observar a presença de cicatrizes planas e/ou alteração da tonalidade da pele das regiões acometidas. No entanto, elas tendem a se resolver espontaneamente. A presença de infecções bacterianas secundárias pode agravar o quadro clínico e a possibilidade de cicatrizes mais graves. Por isso, a avaliação médica é fundamental para a escolha do tratamento mais adequado.

 

5. A vacina da varíola comum protege contra a “dos macacos”?

A vacina contra a varíola (Smallpox) pode proporcionar proteção cruzada contra o vírus Monkeypox, uma vez que ambos pertencem à mesma família e gênero. O Brasil recebeu o certificado de erradicação da varíola em 1973, sendo a vacinação estendida até 1975. Pessoas que nasceram antes deste período foram vacinadas para a varíola, devido à campanha de erradicação da doença, iniciada em 1966, que atingiu toda a população brasileira.

 

A melhor forma de controlar o avanço da doença, de acordo com o especialista, é por meio da informação. “É fundamental que a população saiba reconhecer os sintomas e procurar atendimento. Os serviços de saúde também precisam estar atentos e preparados para lidar com casos suspeitos, além de notificar os órgãos de saúde para que medidas sejam instituídas, como o isolamento e o rastreio de contatos próximos”, orienta.

 

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