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Supervia do monopóllio á recuperação fiscal. O dia a dia dos passageiros de trem no Rio de Janeiro

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Passageiros se queixam e relatam como é o dia a dia deles nos ramais da Supervia.

Cinco e meia da manhã é hora de acordar para a carioca Rosangela Miranda, moradora do município de Nilópolis. Como todos os dias faz, ela caminha em direção a estação da Supervia para embarcar rumo ao Centro do Rio, onde trabalha. Era mais um dia normal no cotidiano desta mulher. Era.

Passageiros descem do Japeri na via férrea, em Bento Ribeiro. Foto: Rosangela Miranda          

A manhã desta sexta-feira (25) será lembrada por ela e milhares de passageiros da Supervia. O ramal Japeri, o mais usado do sistema, sofreu nova paralisação.
Uma composição do ramal Japeri sofreu avaria quando estava próximo a estação de Bento Ribeiro, subúrbio do Rio. Diversos passageiros tiveram que descer pela via férrea se arriscando enquanto outros trens passavam ao lado. Idosos, deficientes, trabalhadores, crianças, todos atrasados, expostos ao perigo, totalmente vulneráveis graças aos transtornos causados pela Supervia.

“Pego Japeri em Nilópolis e todos os dias tem estado difícil. Sempre informam roubo de cabo, é falta de energia, bloqueios na linha, sempre tem um motivo para atrasar tudo. Com isso, pessoas como eu que tem hora para chegar no trabalho só chegam atrasadas. Eu estava nesse trem em Bento Ribeiro.
O trem ficou fechado 20 minutos e quando avisaram que as portas seriam abertas, não era para ninguém descer. Na mesma hora que a porta abriu todo mundo desceu. Muito complicado descer na linha com os outros trens buzinando.
Eu estava com meu primo que esta operado há dois meses do joelho, que teve que descer com dificuldade. Depois quando chegamos a plataforma só vinha trens cheios e parador. E a passagem só aumenta e ficamos pagando por um serviço que eles estão tirando da gente” – o desabafo de Rosangela é somente mais um de tantos passageiros que dependem deste transporte.

Passageiros aguardam para embarcar em outra composição, após incidente. Foto: Rosangela Miranda

Histórias como a dela se repetem todos os dias. A Supervia se defende enumerando os problemas que vem enfrentando, especialmente com a pandemia.
De janeiro a maio deste ano, a Concessionária que cuida da Supervia informa que foram furtados 12 mil metros de cabos, causando um prejuízo de R$ 899 mil aos seus cofres. No mesmo período, foram 15 furtos de grampos, totalizando a retirada de 3.290 deles da via férrea. Se não bastasse tudo isso, foram mais de 100 atrasos em todos seus ramais.
A Supervia opera o serviço de trens urbanos na Região Metropolitana (Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Nilópolis, Mesquita, Queimados, São João de Meriti, Belford Roxo, Japeri, Magé, Paracambi e Guapimirim), através de uma malha ferroviária de 270 quilômetros dividida em cinco ramais, três extensões e 104 estações, que transporta 500 mil passageiros diariamente. A empresa também é a recordista em reclamações entre os meios de transporte do estado.

Para o comerciante Vitor Bastos, morador de Paciência, que todos os dias utiliza o ramal Santa Cruz o serviço é péssimo. Trens sucateados, lotados, estações sem segurança e em estado deprimente é tudo que ele encontra na Supervia.
“A concessionária não cumpre o prometido. São aumentos quase que regulares na tarifa e quase nenhuma melhoria no serviço prestado.
Eu me pergunto todos os dias como que uma empresa que detém o monopólio do sistema ferroviário do Rio pode prestar um serviço tão ineficaz à população?” – inquere Vitor.

Daiana Santos, usuária do ramal Saracuruna (Duque de Caxias) é mais uma indignada:
“Como passageira, acho um absurdo todo esse transtorno. Todo dia é um problema novo, uma desculpa diferente. Um serviço de péssima qualidade com passagem nada barata. Hoje de novo teve problemas na linha. Disseram que era manutenção, mas em pleno dia de semana e horário de pico? E se eu não tivesse dinheiro para completar o valor de uma van? Com certeza eu teria perdido toda esta semana de trabalho.” – relata.

Os argumentos da empresa já não convencem mais os usuários. Os que tem outra opção fogem dos trens. Com a pandemia e a queda de passageiros, os prejuízos aumentam aceleradamente e para evitar a falência, a concessionária pediu recuperação fiscal recentemente.
Com tantos problemas e nome envolvido em mídia negativa toda semana, a Supervia acaba por manchar a bela história que o transporte ferroviário carioca possui.
É fato que um transporte 100% eficiente é impossível de ocorrer, mas o que cada uma dessas histórias relatadas conta são casos de desrespeito, despreparo da empresa ao coordenar toda a malha férrea.

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Cristiane Braga
Cristiane Braga
Coordenadora da Redação do Portal RJ4,Jornalista ,Produtora de Eventos,Tv e Rádio, Cris é uma carioca apaixonada pela profissão e pelo Carnaval. Atua no setor desde 1994, quando tinha apenas 15 anos e descobriu sua vocação. Formada desde 2001 pela UGF como Bacharel em Comunicação Social. Além dos afazeres jornalísticos, ela é Manager da Cris Mattos Assessoria de Comunicação

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